SIBILA - POESIA SOBRE TUDO, POESIA
Do poeta Régis Bonvicino - nome importantíssimo quer na criação literária, na crítica, na divulgação, nos experimentos editoriais e numa verdadeira ‘militância/missão’ incessante de “bateia”, ou seja a crivar a poesia de valor incontestável - recebo o material de divulgação de mais um número da bela e especialíssima revista SIBILA (não conheço um grande Poeta que não saiba a importância da revista e que não leia a revista.
O nome SIBILA, uma homenagem, de certa forma, foi retirado de um poema de Murilo Mendes(*)-um dos mais importantes Poetas brasileiros em todos os tempos e que merece ser muito mais divulgado. Dizendo melhor, merece ser muito, muito *conhecido*
Ao lado de uma equipe respeitável que você pode ler aqui , Bonvicino criou e fundou a SIBILA, cujo primeiro número foi lançado nos Estados Unidos e no Brasil (São Paulo). Agora, a revista que já possui 11 números impressos. E está on line. Ganho nosso, espero.
O que importa ressaltar não é exatamente o impacto e a importãncia dessa revista, pois cada um pode ver pela matéria poética e o rico material traduzido. Importa reconhecer um convite desafiador que a palavra SIBILA engendra: o desafio de interpretar uma nova maneira de dizer o já-dito, o não-dito, o que é renovo, rompendo a cegueira da familiariedade.

Susan Bee (Revista Sibila)
Sibila é a personagem ( na verdade, pelo menos há seis) da mitologia grega e da romana que possui o dom da profecia, do vaticínio, muitas vezes enigmático. A Poesia é a arte que carrega consigo o dom profético e o de ser morada da linguagem. A poesia é a linguagem. Haverá entre elas um parentesco semiótico e semiológico . Eis um ambicioso projeto. Uma ruptura. E que traz consigo, a crítica, o ensaio, a tradução, e pricipalmente o olhar voltado para a atualidade atemporal, para o que é materia de fatura poética. A ingerência do olhar, da análise e posivelmente a posse, mas sobretudo e sobre tudo, a inovação e o sem limite.
No número 7, a capa, por exemplo, traz MANÉ GARRINCHA, em outro número Oiticica em um ensaio, ou ainda em outro, Miriam Chnaiderman fazendo seu filme sobre José Agripino de Paula.
O que me impressiona ao lado disso tudo, sem dúvida, é o material iconográfico. A produção fotográfica, as gravuras, as pinturas, tudo isso é de fazer a gente se orgulhar de ter um veículo de expressão. A arte de se fazer arte. Poeticamente.
E a polêmica esquenta, esquenta: sobre INIMIGO RUMOR a outra revista brasileira, hoje luso-brasileira!
Seguem dois excertos, um deles contido na SIBILA que é uma jóia , uma gema e merece ser lida . massivamente.
Afinal, não há escrita de qualidade sem leitura de qualidade
Este aqui :
“Nunca fomos catequizados. Vivemos através de um direito sonâmbulo. Fizemos Cristo nascer na Bahia. Ou em Belém do Pará.”
Oswald de Andrade. Manifesto Antropófago
10 comments May 27, 2008
