Posts filed under 'Arte'

SIBILA - POESIA SOBRE TUDO, POESIA

por Claudio Boczon
(Foco -Retirado daqui)

POESIA, SOBRE TUDO, POESIA


Do poeta Régis Bonvicino - nome importantíssimo quer  na criação literária, na crítica, na divulgação, nos experimentos editoriais e numa verdadeira ‘militância/missão’ incessante de  “bateia”, ou seja a crivar a poesia de valor incontestável  - recebo o material de divulgação de mais um número da bela e especialíssima revista SIBILA  (não conheço um grande Poeta que não saiba a importância da revista e que não leia  a revista.
O nome SIBILA,  uma homenagem, de certa forma,  foi  retirado de um poema de Murilo Mendes(*)-um dos mais importantes Poetas brasileiros em todos os tempos e que merece ser muito mais divulgado. Dizendo melhor, merece ser muito, muito *conhecido*

Ao lado de uma equipe  respeitável  que você pode ler aqui , Bonvicino criou e fundou a SIBILA, cujo  primeiro número  foi lançado  nos Estados Unidos e no Brasil (São Paulo).  Agora, a revista que já possui 11 números impressos. E está on line. Ganho nosso, espero.

 O que importa ressaltar não é exatamente o impacto e a importãncia dessa revista, pois cada um pode ver pela matéria poética e o rico material traduzido.  Importa reconhecer um convite desafiador que a palavra SIBILA engendra: o desafio de interpretar uma nova maneira de dizer o já-dito,  o não-dito, o que é renovo, rompendo a cegueira da familiariedade.
Susan Bee
Susan Bee (Revista Sibila)
 
Sibila é a personagem ( na verdade, pelo menos há seis)  da mitologia grega e da romana que possui o dom da profecia, do vaticínio, muitas vezes enigmático. A Poesia é a arte que carrega  consigo o dom profético e o de ser  morada da linguagem. A poesia é  a linguagem.  Haverá  entre elas um parentesco semiótico e semiológico . Eis um ambicioso projeto. Uma ruptura. E que traz consigo, a crítica, o ensaio, a tradução,  e pricipalmente o olhar voltado para a atualidade atemporal, para o  que é materia de fatura poética.  A ingerência do olhar, da análise e posivelmente a posse, mas sobretudo e sobre tudo, a inovação e o sem limite.

No número 7, a capa, por exemplo, traz MANÉ GARRINCHA,  em outro número Oiticica em um ensaio,  ou ainda em outro,  Miriam Chnaiderman fazendo seu filme sobre José Agripino de Paula.

O que me impressiona  ao lado disso tudo, sem dúvida, é o material iconográfico. A produção fotográfica, as gravuras, as pinturas, tudo isso é de fazer a gente se orgulhar de ter um veículo de expressão. A arte de se fazer arte. Poeticamente.

E a polêmica esquenta, esquenta: sobre  INIMIGO RUMOR a outra revista brasileira, hoje luso-brasileira!

Seguem dois excertos, um deles contido na SIBILA que é uma jóia , uma gema e merece ser lida . massivamente.
Afinal, não há escrita de qualidade sem leitura de qualidade
Este aqui  :

“Nunca fomos catequizados. Vivemos através de um direito sonâmbulo. Fizemos Cristo nascer na Bahia. Ou em Belém do Pará.” 
Oswald de Andrade. Manifesto Antropófago

(more…)


10 comments May 27, 2008

Duas mulheres, duas expressões poéticas do barroco

Será brando o rigor, firme a mudança,
Humilde a presunção, vária a firmeza,
Fraco o valor, cobarde a fortaleza,
Triste o prazer, discreta a confiança;
.
Terá a ingratidão firme lembrança,
Será rude o saber, sábia a rudeza,
Lhana a ficção, sofística a lhaneza,
Áspero o amor, benigna a esquivança;
.
Será merecimento a indignidade,
Defeito a perfeição, culpa a defensa,
Intrépito o temor, dura a piedade,
.
Delito a obrigação, favor a ofensa,
Verdadeira a traição, falsa a verdade,
Antes que vosso amor meu peito vença.

Soror Violante do Céu (1602-1693)

◊◊◊

Amor empieza por desasosiego,
solicitud, ardores y desvelos;
crece con riesgos, lances y recelos;
susténtase de llantos y de ruego.
.
Doctrínanle tibiezas y despego,
conserva el ser entre engañosos velos,
hasta que con agravios o con celos
apaga con sus lágrimas su fuego.
.
Su principio, su medio y fin es éste:
¿pues por qué, Alcino, sientes el desvío
de Celia, que otro tiempo bien te quiso?
.
¿Qué razón hay de que dolor te cueste?
Pues no te engañó amor, Alcino mío,
sino que llegó el término preciso.

.

Sor Juana Inés de la Cruz (1651-1695)

E Mozart que barroco, barroco não é, mas casa divinamente, no caso.


13 comments March 11, 2008

GRAMATOLOGIA; Livro de Artista; livro-objeto; e, incidentalmente, elogios críticos

amir_britto_cador

Este é um post in progress, como quase todos os que faço. Sei exatamente o que quero fazer, mas também sei que envolve muita coisa por acréscimo, que pode ou deve ser dita ou não: como a questão de vivermos numa sociedade em que as pessoas lidamos mal ou *NÃO* sabemos ser elogiadas. Em conversas com amigos, professores, críticos ou não, chego mesmo a dizer que ao receber uma “constatação elogiosa” sentimo-nos como desnudadas, expostas ao frio. O insulto parece ser muito mais bem recebido ou pelo menos recebido de modo menos desconfortável do que *a enunciação de algo agradável* a respeito da criação, obra ou objeto da autoria de alguém. E é fácil explicar isso: ao insulto sabemos como revidar. Ou falando ou desqualificando quem fala. Paradoxalmente - e aí reside o melhor da reflexão - esta mesma sociedade é aquela que não aceita críticas. Nem poucos encômios. (more…)


8 comments December 18, 2007

MAGRITTE, MAIAKOVSKI e Maravilhas do APRENDER (post in progress)

magritte-tombeau.jpeg

Este post vai sendo feito aos poucos, inspirado nos aprendizes e ensinadores do Aprendendo a Aprender, uma bela experiência coletiva .Não há muito o que dizer, há muto a fruir: o blog é todo incitação, convite, exposição, para a vocação mais persistente no homem: o desejo. De saber.
Bookmark, urgente, por favor a si mesmos: Aprendendo a Aprender:
Obrigada aos aprendizes -eles são cinco - por me recordarem o que disse o *dono* deste blog, Guimaraes, o Super Rosa: “Não é Mestre aquele que só ensina, mas o que de repente aprende. Cerne sabido, mas se aprofundando, Rosa nos lembra que não controlamos o que ensinamos, que ensinamos até o que não sabemos. Ensino mesmo é a arte de ver, rever, lutar para não esquecer. A aprender.
Esta reprodução é de um quadro de René Magritte: Le tombeau des Luteurs… de 1960. Que eu não conhecia e olha que sou magritteira, desde o tempo do Império.
Ora, ora, ora…mas onde é que esses meninos aprendem essas coisas pra ensinar pra gente?
=-=-
Volto, logo, para os poemas de Maïakovski.
Sobre ele podem ler aqui neste site, que é, digo com orgulho, feito em Belém do Pará, por paraenses.
O POEMA. http://culturapara.art.br
Acerca de Vladimir Maiakovski, aqui,

barra2_linhafina.jpg

LILITCHKA!

EM LUGAR DE UMA CARTA
Fumo de tabaco rói o ar.
O quarto —
um capítulo do inferno de Krutchônikh. (1)
Recorda —
atrás desta janela
pela primeira vez
apertei tuas mãos, atônito.
Hoje te sentas,
no coração - aço.
Um dia mais
e me expulsarás,
talvez, com zanga.
No teu “hall” escuro longamente o braço,
trêmulo, se recusa a entrar na manga.
Sairei correndo,
lançarei meu corpo à rua.
Transtornado,
tornado
louco pelo desespero.
Não o consintas,
meu amor,
meu bem,
digamos até logo agora.
De qualquer forma
o meu amor
— duro fardo por certo —
pesará sobre ti
onde quer que te encontres.
Deixa que o fel da mágoa ressentida
num último grito estronde.

Quando um boi está morto de trabalho ele se vai
e se deita na água fria.
Afora o teu amor
para mim
não há mar,
e a dor do teu amor nem a lágrima alivia.
Quando o elefante cansado quer repouso
ele jaz como um rei na areia ardente.
Afora o teu amor
para mim
não há sol,
e eu não sei onde estás e com quem.
Se ela assim torturasse um poeta,
ele
trocaria sua amada por dinheiro e glória,
mas a mim
nenhum som me importa
afora o som do teu nome que eu adoro.
E não me lançarei no abismo,
e não beberei veneno,
e não poderei apertar na têmpora o gatilho.
Afora
o teu olhar
nenhuma lâmina me atrai com seu brilho.
Amanhã esquecerás
que eu te pus num pedestal,
que incendiei de amor uma alma livre,
e os dias vãos - rodopiante carnaval -
dispersarão as folhas dos meus livros…
Acaso as folhas secas destes versos
far-te-ão parar,
respiração opressa?

Deixa-me ao menos
arrelvar numa última carícia
teu passo que se apressa.

26 de maio de 1916. Petrogrado.(²)

(Tradução de Augusto de Campos)

¹ Alusão ao poema “Um jogo no Inferno” de A. Krutchônikh e V. Khlébnlkov
² É freqüente, entre os russos, o hábito de datar as cartas no fIm.

Este poema - à guisa de carta- foi feito para Lila Brik, o grande amor da vida do Poeta, Vladimir Vladimirovitch Maïakovski (em russo: Владимир Владимирович Маяковский ) que também era pintor, ator, dramaturgo e roteirista, e por grandioso e angustiado, se suicidou em 14 de abril de 1930. Tinha 36 anos.

barra2_linhafina.jpg

Carta a Tatiana Iácovleva

No beijo das mãos,
na boca que me beija,
no corpo dos meus próximos,
que freme,
a cor
das minhas repúblicas
-vermelha-
deve estar
sempre
acesa.
Eu não amo
o amor de Paris:
cadelinhas de seda
-que se enfeitem!-
em vão.
Espreguiço-me,
e vou dormir,
como quem diz:
“Tout beau!”
aos cães raivosos
da paixão.
Na estatura
só você me ombreia,
fique pois,
sobrancelha a sobrancelha,
ao meu lado.
Deixa
que eu faça alarde
como homem
da grandeza da tarde.
Cinco horas,
e a partir de agora
o pinheiral humano
espesso
amaina:
esmorece
a cidade e sua faina.
Ouço apenas
a discussão dos apitos
dos trens para Barcelona,
ríspidos.
No céu negro
raios piscam passos,
um trovão
de impropérios
no drama dos espaços.
Nuvens de tempestade?
Não.
A simples sanha
do ciúme,
que remove montanhas.
Não creia nessa estulta
argila bruta dos vocábulos,
que esse tumulto
não te cause susto,
hei de frear,
hei de domar o impulso
de um sentimento
de rebentos fidalgos.
A sarna da paixão
pode cair em crostas,
mas a alegria,
esta não se esgota,
quero cantá-la
como quem conversa
longamente,
singelamente em versos.
Ciúmes,
esposas,
lágrimas…
Se danem!
Como Vii
com suas vistas congestas.
Não é por mim
que tenho ciúmes,
antes
me enciúmo pela Rússia Soviética.
Eu vi
os remendos sobre as costas
que a tísica
lambia
suspirando.
E então?
A culpa não é nossa-
cem milhões
andavam definhando.
Hoje
para esses
nossa afeição mais terna-
nem todos
se corrigem
com esporte,
mas em Moscou
serão úteis
criaturas com teu porte:
falta-nos também
gente de longas pernas.
Para isso
em meio à neve
e em meio ao tifo
você andou
com essas pernas altivas?
Para entregá-las
numa ceia furtiva
às carícias
de empresários petrolíferos?
Pare de cismar,
olhos sem rumo
pestanejando
sob os arcos a prumo.
Venha cá
para o abraço cruzado
dos meus grandes
braços desajeitados.

Você não (me) quer?
Hiberne então, à parte.
(No rol dos vilipêndios
marquemos:
mais um X).
De qualquer modo
um dia
vou tomar-te
sozinha
ou com a cidade de Paris.
(1928)

Vladimir Vladimirovitch Maïakovsky (7 de julho de 1893 -14 abril 1930)

*****
ADENDA: Aqui uma versão em inglês da carta à Tatiana, que era mulher lindíssima, mas..
E aqui encontrei uma interessante descrição de Lila Brik.
****
Pessoas queridíssmas, desculpem se não saiu bem, ou se não saiu melhor. Amanhã HOJE é o dia do meu retorno ao médico, lembram, aquele da consulta no dia 16? Pois é, estou muito ansiosa.Alguns dos meus exams não foram lá muito bem…. mas espero que torçam por mim.

Este post é também feito pra querida e adorável Magaly que hoje ONTEM -submeteu-se à delicada intervenção cirúrgica oftalmológica. Mas está tudo bem. Ainda bem. Beijos, minha amorinha.


11 comments November 30, 2007

As estranhezas e as várias faces do nu

As diferentes formas de ver e representar o nu desde o final do século 20 até hoje estão em exposição - importante - na Scottish National Portrait Gallery, Escócia.
A Scottish Portrait é uma das Galerias mais maravilhosas do mundo (IMSSHO) e é a minha preferida, não só na Escócia. Em todo o U.K ela é uma das minhas very, very fave.
No quadro abaixo, Lucien Freud inaugurou a ( junho - setembro) exposição para mostrar como retratos de nus podem refletir as mudanças culturais e dos valores morais do último século e no início deste.
lucien_freud_girl_with_eggs.jpg
Ahã.. até pode ser, mas pra mim, quem é odd mesmo é o Lucien - ah! olha só: O Lucien Freud é pintor e esse quadro é um retrato, pintado a óleo.
Claro que ele é estrela da mostra.
Porém, ai porém… o ponto alto, asim ponto altissíssississimo mesmo, segundo me diz meus queridos C.V, é a foto que Annie Leibovitz fez de John e Yoko.
Melhor ser prudente e ir ver ao vivo. (embora ela seja a autora da melhor foto da minha amada (e também dela) Susan Sontag.
********
PETER HOWSON: MADONNA
madonna_sgpgallery_peterhowson.jpg
Howson fez esa quadro reprtesentando a cantora Madonna na tela a óleo de 2002. A obra pretende mostrar a “estranheza do corpo” dela. (© Peter Howson, coleção do casal Matthew Flowers). (estranheza? sei…)
DAVID BAILEY: JANE BIRKIN:
janebirkin_davidbailey.jpg
Este quadro já é do acervo National Portrait de Londres. Bailey fotografou a linda (IMSHO) cantora e atriz Jane Birkin, em 1969. (© David Bailey).
******

Link referenciais:
1- Scottish National Portrait GALLERY : - (reparem na mostra do andy warhol- a Liza Minnelli, hãnn?
2- Wikipedia (OK, fechem a boca, eu sei que falei muito mal da Wikipedia e do Youtube, mas sou humana e às vezes:-) eu também erro hohohO- Traz uma bela foto da fachada.
3- Lucien Freud,
4- Annie Leibovitz
5-David Bailey


17 comments July 6, 2007

O GALO DE GUGALA ou … e as culturas ágrafas?

menacingcupidfalconet.jpg

O escritor Ricardo (Ramos) Filho, que no mundo dos blogs reina sob o pseudônimo de Lord Broken-Pottery , usou certa vez, em um dos seus excelentes escritos, dos quais eu me aproximo todos os dias , a palavra *INANA* (ei!, hey, volta aqui, não vai ao dicionário, não). Acho que sou tão apaixonada pelas palavras quanto os que mais o sejam, conheço palavras que dariam nó em trilho, o que não me dá vantagem em absolutamente nada, pois só uso aquelas que são de uso corrente, como todos, e em toda a minha vida era a primeira vez que eu *VIA* aquela palavra escrita. Ouvir, já tinha ouvido. E muito. Por que será?;-)

Pois bem, esta introdução , até pequena para os meus moldes:-) é para responder, eu mesma ;-), à pergunta que eu mesma, de novo;-) ofereci aos meus adoráveis leitores e - não é por eu estar na minha própria presença - foi sucesso de crítica e de público. Foi sim.

A pergunta : “Qual - na sua opinião - é o primeiro INSTINTO (NATURAL, portanto) do “ser humano”- a LEITURA ou a ESCRITA? E pode explicar o por quê?

Todos os que vieram, escreveram, e escreveram muito bem e confesso não contei quantos acharam que era a leitura e quantos achavam que era a escrita.

Isso não era importante. Ou seja , a pergunta era e é importante. A resposta é (more…)


23 comments June 29, 2007

Previous Posts


Readiness is all.
Shakespeare. Hamlet. Act v. sc. 2.

Últimos posts

Arquivos

Categorias

Meta