Pararabéns para Cristina Carriconde e César Miranda. Amigos.

24 May 2008


by Camille Claudel
Cristina e César: meus queridos Amigos, dois entre os mais leais, mais sinceros, não complacentes, nem indulgentes, enfim, duas pessoas que partilham, não só o dia de nascimento (21 de maio) como também a arte de exercitar a arte da Amizade.. E Amizade, convenhamos , tal como o Amor, não é para amadores.
Eu devo muito aos dois: nos momentos em que me foi necessário muito, e em que eu me sentia tão pouco, não regatearam, nem hesitaram em oferecer mais do que eu talvez esperasse, baseada na imensa pequenez (sim, aqui vale o oxímoro)  que eu via vindo em quase todos lados.
Mas ainda que não fossem tão grandiosos (e eu nem sei se vocês  – os dois- se conheciam um ao outro) nessa ocasião, em todo o tempo de Amizade só tive de vocês dois o respeito (mútuo, é bom que se diga) a força, a valorização e o chão que me faltava.
Está certo,  a Amizade de vocês (e olha quantos anos já se passaram, com o César mais de 10 anos, ei César, já esgotamos há muito a carência, não é?) me deixa muito orgulhosa mas aqui pra nós,  comigo a Vida tem sido sempre maravilhosa, pois como diz o poeta J. R. Jimenez: “Não sou eu que escolho o melhor, o melhor é que me escolhe“.É esse milagre de serem os melhores e me presentearem com sua preciosíssima Amizade que  quero hoje agradecer nos Parabéns que lhes dou, nos votos de todos os BENS, além do BEM; e que tudo que  lhes aconteça seja sempre maior e melhor que o limite e a qualidade do que desejam.
Obrigada, Cris, minha condessa doce e linda . A melhor fotógrafa do planeta e dos arredores. Vejam aqui e tirem suas conclusões.  Elogiada pelos melhores profissinais. É suave, é rigorosa, é sincera e é extremamente doadora.

Já o César, agora de casa nova, é aquele  de quem falei aqui, um mestre das palavras. É músico instrumentista, (erudito e popular) é escritor, é humorista dos bons, dos melhores, no sentido mais perfeito do termo. Vai ver que ele sabe até rir de si mesmo (bem, porque o que eu  mais vejo é gente soi-disant humorista e de cabeça tão pequena, digo, estreita). Tem um pecado: é advogado-dono da Caixa Econômica Federal do … Brasil, não é? Mas, como é gente finíssima, parece que não é juiz, nem promotor e nem defensor de ninguém. Ele é simplesmente o que é.  Amigo.

E isso está longíssimo de ser pouco.  Não é dado a todos. Só aos especiais. Eleitos.

E em momentos assim há que haver Poesia. De um poeta superior.

NARRAÇÃO DE UM HOMEM EM MAIO
Herberto Helder

Estou deitado no nome: maio, e sou uma pessoa
que saiu
violenta e violentamente para o campo.
Um homem deitado entre os malmequeres
rotativos do mês atraves-
sado pelo movimento.
É a noite aproximada com o livro
dentro. Deitado sobre bocados
de estrelas no pensamento.
Era a casa absorvida na manhã
embatente.
Livro de poesia arrebatada. Poesia
da mulher emparedada no amor
e o homem emparedado na destruição
do amor.
É agora o leitor com a atenção corrupta
sobre o livro.
O livro que arde nos ossos
do leitor afogado no poema arrebatado.

Estou estendido como autor na ligeira
palavra que a noite molha
e os ventos sopram como se sopra
uma brasa.
Um homem que saiu de casa, com toda
a magnífica violência do amor.
É o tempo revelador.
Agora inteligente deste lado,
contra o lado exemplar de maio aglomerado.
Espécie de primavera comburente.
A dor total. O livro.
O pensamento do amor. A
experiência.
E a vida ardente do autor.

Deitei-me também no campo
de outras coisas. Com discurso. Com
rigoroso segredo.
Vi o caçador levantar o arco-íris
e atirar, fechada, a morte
ao cabrito primaveril.
E tudo calei como experiência
de um sono inspirado.
Vi a ressurreição, maio
infestado. Ouvi
passar o ciclista da primavera
sobre o ruído da ressurreição.
Conheci a existência do roubador, o ciclista
que penetra no exemplo da fábula.
Estou deitado em meio campo
de uma espécie de despedida.
Meio campo de maio, e outro meio
de pessoalíssima vida.

São coisas que já não estão mais
do que na maturidade da idade.
Fiz comércio. Indústria. Dor.
A garganta lavrada pelo canto.
Ia a bicicleta com o seu poeta que punha a mão
no poema da bicicleta.
E iam todos – poema, bicicleta, poeta e mão -
por sobre o coração da terra e a ressurreição
da primavera. Ganhei
a minha idade concluída.
Cacei. Ou plantei. Ou cortei.
A vida vida.
Havia o movimento com a sua bicicleta
e a canção com o seu poeta.
A vida merecida.

Vejo ervas movimentadas e estrelas paradas.
E a consumação das coisas universais.
Geram-se de novo as coisas
universais. A pureza.
A natureza da pureza.
A própria natureza das coisas universais.
Da dor sei o amor.
O amor do ardor. Sei mais
do que posso saber da matéria do amor.
Fico deitado no campo revolucionário:
a paciente brutalidade da primavera
é como a brutalidade
delicada da paixão.
O violentamente demorado amor,
e a sua ressurreição.

Já estivera deitado ao lado das mulheres.
Elas paravam completamente
como caçadores ou bichos fascinados.
Não tinham pensamento nem idade.
Era a força do corpo. O movimento.
Estou neste lado desse lado
do corpo. Sei o poema
do conhecimento informulado.
Respira monotonamente uma estrela
entre os ossos.
Estrela levemente destruída.
Roída pelo louco rato lírico
da idade. Estou no pensamento.
Parado no movimento de uma vida.

Mexo a boca, mexo os dedos, mexo
a idéia da experiência.
Não mexo no arrependimento.
Pois o corpo é interno e eterno
do seu corpo.
Não tenho inocência, mas o dom
de toda uma inocência.
E lentidão ou harmonia.
Poesia sem perdão ou esquecimento.
Idade de poesia.

Herberto Helder In: Poesia Toda.

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10 Comments Add your own

  • 1. marlia jackelyne  |  24 May 2008 at 4:41 pm

    Amizade é mesmo tudo de bom…

    Reply
  • 2. Karla Nazareth  |  24 May 2008 at 9:06 pm

    bela homenagem (-:

    Reply
  • 3. O Réprobo  |  24 May 2008 at 9:06 pm

    Querida Meg,
    Voltaire dizia:
    “Tenho três tipos de amigos, os que gostam de mim, ps que me são indiferentes e os que me detestam”. É bom ver que está rodeada dos Primeiros, porque merece o tal Melhor.
    Beijinho muito… amigo, embora de sujeitinho com menos qualidades

    Reply
  • 4. Mariaelisa Guimaraes  |  25 May 2008 at 5:19 am

    Marilia, meu anjo, acho que sim, manter amigos é a coisa mais difícil, mas também é muito bom. E o melhor de tudo que Amigo nunca se perde, não é, Se perder é porque não era Amigo.;-)
    Beijo

    Karla, seja bem-vinda, muito obrigada e que bom que comentou. Sempre vou visitá-la, pois o WordPress nos uniu, não é?
    Um beijo, querida

    Querido PR, hahahahahaha!
    Sinceramente? Eu adorei a reflexão de Voltaire, não conhecia (novidade!) e acrecentaria uma quarto tipo: aqueles que sempre nos ensinam algo, nos fazem rir, e refletir, como o querido Réprobo.
    Beijinho muito Amigo.

    Reply
  • 5. Cris  |  26 May 2008 at 1:03 am

    Muito obrigada, querida!
    Afeto verdadeiro não tem data nem hora.
    Semana passada recebi o teu colo e foi muito importante ouvir aquilo.
    Só uma correção, nosso querido Cesar é do dia 23.
    Espero que já estejas bem.

    Estou aqui de babá do meu cachorro que mais uma vez foi operado. Ele está bem mas exige muita atenção.

    Beijocas

    =–=-=
    Cris, eu adoro você e lhe digo se cuide.
    Vc se doa demais.
    Quero saber dos cães. Não sabia que havia cãs e gatos.
    Beijos, meu amor.
    Vc merece toda a felicidade

    Reply
  • 6. Cris  |  26 May 2008 at 1:07 am

    Agora que me dei conta que troquei de César :) É que esse conheci ha bem menos tempo. Lembro que achei o perfil dele tão interessante e quando vi a coincidência do aniversário, acabei deixando um comentário no orkut e acabamos um na lista de contatos do outro.
    Não sou próxima mas ele me pareceu uma pessoa bacana e acabei assinando já o blog novo para ler :)

    =-=-=-=
    Puxa o nosso querido César de Floripa!
    Adoro ele e ele sabe.
    Vou mandar um beijo para ele.
    Beijos para você.

    Reply
  • 7. César Miranda  |  27 May 2008 at 8:35 pm

    Meg, nossa carência se esgotou, embora eu sempre vá carecer de você. Um dia desses, estava ajeitando as categorias do Pró Tensão e vi que tem uma categoria chamada “MEG”. Isso resume sua importância pra mim. Todos são posts, mas Meg é categoria. Obrigado pelo mimo de sempre. Beijo.

    Reply
  • 8. av  |  27 May 2008 at 11:16 pm

    Amizade é tudo isso aqui no sub rosa, Meg: amigos que te adoram e te querem ver sempre bem. O resto… é paisagem.

    beijão, passei a correr.

    Reply
  • 9. marie tourvel  |  30 May 2008 at 10:38 am

    Acho que sou sua mais recente velha amiga, né? Eu adoro compartilhar sua amizade. Um grande beijo, querida.

    Reply
  • 10. Adalberto Queiroz  |  4 June 2008 at 11:28 pm

    Meg, ma chère.
    Demorei a comentar, mas é que a vida anda a cobrar-me compromissos diversos na esteira das agruras do comércio.
    Nada que me faça esquecer a importância do César. A ele, o que é devido!
    E quando passo é pra tirar o chapéu pra o César e pra você, ambos admiráveis e amigos (um próximo, a outra, virtual, mas quão intensos!).
    E como adoro citações, achei essa no fundo de um papel amarelado: “todos nós precisamos confiar no semelhante, e é assim que vamos realizando as ´figuras` da unidade em Deus. A amizade, a confiança cristã têm, pois, um fundamento que é como uma lei natural na vasta hierarquia moral. ”
    (Jackson a Alceu).
    Beto a você e a nosso bom amigo César.
    Amitiés renouvellees.
    AQ.

    =-=-=-=-=
    Adalberto,
    na verdade, como você bem sabe, todo tempo é tempo. Nunca é antes nem depois: é quando vem.
    Belíssima citação.
    Ah! que dois titãs!
    O César merece mesmo muito mais.
    Um beijo para você e a todos da sua família.

    Reply

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Shakespeare. Hamlet. Act v. sc. 2.

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