Um Poema para o Ano Novo com um pedido pelo meio;-)

.ELEGY: GOING TO BED

COME, Madam, come, all rest my powers defy ;
Until I labour, I in labour lie.
The foe ofttimes, having the foe in sight,
Is tired with standing, though he never fight.
Off with that girdle, like heaven’s zone glittering,
But a far fairer world encompassing.
Unpin that spangled breast-plate, which you wear,
That th’ eyes of busy fools may be stopp’d there.
Unlace yourself, for that harmonious chime
Tells me from you that now it is bed-time.
Off with that happy busk, which I envy,
That still can be, and still can stand so nigh.
Your gown going off such beauteous state reveals,
As when from flowery meads th’ hill’s shadow steals.
Off with your wiry coronet, and show
The hairy diadems which on you do grow.
Off with your hose and shoes ; then softly tread
In this love’s hallow’d temple, this soft bed.
In such white robes heaven’s angels used to be
Revealed to men ; thou, angel, bring’st with thee
A heaven-like Mahomet’s paradise ; and though
Ill spirits walk in white, we easily know
By this these angels from an evil sprite ;
Those set our hairs, but these our flesh upright.

; ; ; License my roving hands, and let them go
Before, behind, between, above, below.
O, my America, my Newfoundland,
My kingdom, safest when with one man mann’d,
My mine of precious stones, my empery ;
How am I blest in thus discovering thee !
To enter in these bonds, is to be free ;
Then, where my hand is set, my soul shall be.

; ; ; Full nakedness ! All joys are due to thee ;
As souls unbodied, bodies unclothed must be
To taste whole joys. Gems which you women use
Are like Atlanta’s ball cast in men’s views ;
That, when a fool’s eye lighteth on a gem,
His earthly soul might court that, not them.
Like pictures, or like books’ gay coverings made
For laymen, are all women thus array’d.
Themselves are only mystic books, which we
—Whom their imputed grace will dignify—
Must see reveal’d. Then, since that I may know,
As liberally as to thy midwife show
Thyself ; cast all, yea, this white linen hence ;
There is no penance due to innocence :

; ; ; To teach thee, I am naked first ; why then,
What needst thou have more covering than a man?

John Donne (1572-1631)

Este é um dos meus poemas preferidos ever e eu ofereço para todos.
Eu queria pedir que, por favor, os amigos me perdoassem se não os estou visitando constantemente, ou se nem os estou visitando. Não gosto de cultivar imagem de coitadinha, mas as coisas por aqui não estão bem, estou muito cóf.. cóf… e às vezes falo – como diz a Rose Marinho Prado. essa moça que se vocês não lêem o blog dela então, tadinhosss, nem sabem o que estão perdendo: eu por exemplo , que estou quase centenária, desde o tempo do Império não via alguém citar o Spengler;-00 hohoho ) – com alguma dificuldade e muita ‘chiadeira’, com poucas almas piedosas, pelo telefone. Obrigada. Às vezes nem isso, ou deixo de retribuir e-mails, cartões e telefonemas. Por favor, perdoem a coitadinha tísica, OK? Oh gente é tempo de Natal Ano Novol, perdão, paz e coisa e talz, certo? (Só lembro que, imaginem, pelo calendário azteca ou maia está previsto pra tudo terminar em 2012 portanto, nada de paz e amor só agora , certo?

Bem, para que todos possam desfrutar di questo belíssimo Poema, coloco também a tradução em português, feita por Augusto de Campos – execrado – isso mesmo, pelo Lord Broken Pottery, meu querido Amigo, o escritor Ricardo (Ramos) Filho . E esta, Lord? Para mim: simplesmente, uma das melhores que ele já fez. Diga lá! ;-)
E vai um beijo especial para minha querida Drang und Sturm: Denise.

………..ELEGIA: INDO PARA O LEITO

VEM, Dama, vem, que eu desafio a paz;
Até que eu lute, em luta o corpo jaz.
Como o inimigo diante do inimigo,
Canso-me de esperar se nunca brigo.
Solta esse cinto sideral que vela,
Céu cintilante, uma área ainda mais bela.
Desata esse corpete constelado,
Feito para deter o olhar ousado.
Entrega-te ao torpor que se derrama
De ti a mim, dizendo: hora da cama.
Tira o espartilho, quero descoberto
O que ele guarda, quieto, tão de perto.
O corpo que de tuas saias sai
É um campo em flor quando a sombra se esvai.
Arranca essa grinalda armada e deixa
Que cresça o diadema da madeixa.
Tira os sapatos e entra sem receio
Nesse templo de amor que é o nosso leito.
Os anjos mostram-se num branco véu
Aos homens. Tu, meu Anjo, és como o Céu
De Maomé. E se no branco têm contigo
Semelhança os espíritos, distingo:
O que o meu Anjo branco põe não é
O cabelo mas sim a carne em pé.

; ; ;Deixa que a minha mão errante adentre
Atrás, na frente, em cima, em baixo, entre.
Minha América! Minha terra à vista,
Reino de paz, se um homem só a conquista,
Minha Mina preciosa, meu Império,
Feliz de quem penetre o teu mistério!
Liberto-me ficando teu escravo;
Onde cai minha mão, meu selo gravo
; ; ;Nudez total! Todo o prazer provém
De um corpo (como a alma sem corpo)
sem Vestes. As jóias que a mulher ostenta
São como as bolas de ouro de Atalanta:
O olho do tolo que uma gema inflama
Ilude-se com ela e perde a dama.
Como encadernação vistosa, feita
Para iletrados, a mulher se enfeita;
Mas ela é um livro místico e somente
A alguns (a que tal graça se consente)
Ë dado lê-la. Eu sou um que sabe;
Como se diante da parteira, abre-
Te: atira, sim, o linho branco fora,
Nem penitência nem decência agora.

; ; ;Para ensinar-te eu me desnudo antes:
A coberta de um homem te é bastante.

Johnn Donne, traduzido/recriado por Augusto de Campos. In: Campos, Augusto de (1931- ). S. Paulo, Companhia das Letras, 1986 .

Sobre sub rosa
The most of all things and persons in the entire world drives me *flabbergasted". That includes me.

27 Responses to Um Poema para o Ano Novo com um pedido pelo meio;-)

  1. rose marinho prado disse:

    Elisa

    Este meu blog é ruim, não ruim de ruidade. Mas ruim de tosco. Não tosco de madeira, mas de incipiência. Com cê ou com esse?
    Elisa, o blog é apenas uma exposição de textos que uso em minha aula.
    Vou fazer um blog para você ficar feliz. Pela manhã, numa dessas, pq até dia 5, só trabalho, vou criar um blog novo. E então escreverei textos com uma estética inovadora, formato tomate, sonoridade de garfos caindo ao chão. Será uma coisa! Um coiso! Tão belo que quem olhar ficará louco.
    Não diga que esse ‘aulas da Rose ‘é bom. Ele é utilitário, tipo sabão de lavar roupa.

    Beijos

    Estou revoltada com o calor. Mas dizem que pessoas equilibradas ficam bem em qualquer situação.

    =-=-=-=-

    Hahahahah… OK, espero passar a FUVEST, mas eu acho esse bão.

    Insipiência? Essa palavra não combina com você!:-) Jamais de la vie!

    beijos, minha linda

  2. Saramar disse:

    Meg, melhor presente não há. Que esplendor!!!!
    Aliás, melhor presente de todos mesmo é você boa, muito boazinha, muito boinha (ai, Freire que ando lendo) por este ano novo a fora e todos os outros.

    beijos, saudades, melhoras, feliz 2008, tudo saindo em cascata…

    =-=-=-=-=
    Ah! anda lendo Freire, é?
    Você é ótima meu anjo, até sem ler. Mas leia, leia muito e leia sempre.
    E eu adorei
    Estou esperando as melhoras.
    beijo e obrigada, Saritz;-)

    Megz

  3. palpi disse:

    Sabe que eu copiei e colei para guardar? Sério. Coloquei assim: Sub Rosa – MEG. Nem preciso escrever mais nada. Quem é MEG? É a querida, generosa e amorosa pessoa que nos brinda tão gentilmente com o tanto que sabe e que, com seu jeito alegre e especial, faz com que o que é ruim se dissolva dentro de nós. Obrigada. MEG.
    Desejo um 2008 de muita fé no melhor.
    Vou mandar algo para você, via e-mail. É algo que está me fazendo muito bem.

    Fui no site da Rose. Pode ser sabão, mas é dos bons, né? :)

    Beijo

    =-=-=-=-=
    Minha linda e querida Amiga. Eu estou com tantas dívidas com você e nem sei como amortizá-las.
    Só sei lhe dizer que já estou o Grande Projeto fazendo, mas ninguém resiste a uma febrte que não passa.
    Puxa, que lindas palavras, mas não me surpreendem, só poderiam vir mesmo de alguém como voc~e e me deixa superfazeira e de nariz arrebitado.

    Obrigada, desejo tudo de melhor, principalmente que eu tenha em você a Amiga mais feliz da blogsfere e logo em seguida eu;-)
    Muitos beijos, querida.
    Então?, a Rose, vc precisa ver o que essa moça escreve… nem precisa ser sabão, peça para ela escrever sobre doce de abóbora… é o máximo.
    Beijocas
    Megz

  4. denise disse:

    Meg, belíssimo , com suavidade e força ao mesmo tempo. Obrigada pelo carinho. Descansa um pouco que logo estarás recuperada. Aliás, falando em cama, sabe que é um santo remédio? Espero vê-la recuperada em breve. Um ótimo domingo pra ti, minha linda.
    beijo, menina

    =-=-=
    Dê, não faço outra coisa a não ser *não sair da cama* e qual o resultado? Fico cansda e e febre não baixa.
    Sei lás.
    Mas, vou vivendo de ilusão.
    Olhe quero lhe falar sobre o a questão do papel e tudo o mais.
    beijos minha querida
    Obrigada por todo o carinho.
    megz

  5. Fal disse:

    meuamor, meu amor, eu tava preocupada com vc, meu bem. Sabe, 2007 deu o que tinha que dar, vamos em frente. Vejo aquela família disfuncional e maravilhosa entrar e sair da kombi 200 montes de vezes por dia, neguinha, e penso em vc comk tanto amor.
    vamos pra 2008, nosso ano.
    amor, sempre
    fal

    =-=-=-=
    Oh Fal, quilida, minha quiida!
    Tenho ligado, ligado e ligado.
    Queria responder esse comment que me fez desmaiar tipo assim umas 700 vezes, mas quem disse?
    Oh, minha deusa, tô lendo tudo e beijos pro Ruy e queria tanto tratar coisas com você.
    Sabia que aquele tanto não deu nem pra saída?
    QUEREM MAIS! QUERO MAIS!!!

    Te amo muito e você é a razão de tanta coisa existir, inclusive as mais maravilhosas que vieram depois.
    São as bênçãos que sempre vêm com o amanhã.
    Não esqueça do que Dona Elisa diz e todos juntos pra ser mais feliz
    Rima non intended.
    beijos. todas as felicidades. Mountains of!
    Meguilda (aaaaaaiiiiiiiiiiii! hohoho) , que deve tanto, mas tanto, tanto a você!!!!

  6. Fal disse:

    hahahaha, amei a frase da rose (ela é sensacional, meg, sensacional) e vou roubar.

    =-=-=-=-

    E pensar que devo a Rose e o Nelson a você. Nelson é o meu estrelo.
    Vc é minha Pandora. Com a caixa cheia de coisas só boas.
    Te amo
    M.

  7. aliki disse:

    Meg, arrepiante esse JD!!!! Je suis sans nouvelles du tout du tout du tout, ni de toi ni de Magaly, alors c’est ici même que je vous embrasse toutes deux dans l’espoir de vous entendre/écrire/lire davantage en l’An Nouveau, que vai ser um ano novinho em fôlha mesmo, cheinho de todos os possiveis. Os impossiveis já tivemos e foi cansativo demais… Beijos levinhos, alegres, suaves – porém presentes!

    =-=-=-=-=
    Ma p’tite, bambina mia.
    Attends et fais attention …;-)
    Une surprise …. tu vas aimer bien.
    Bises.
    M

  8. Celia e César Trakl disse:

    Meg, a gente já conhecia a Daniella Thompson. Eu me lembro que fizeste uma entrevista com ela, no teu outro blog, não foi? Ela é o máximo.

    Agora ficamos impressionados com a leveza e o humor e a quantidade/qualidade de informação do Carlos Eduardo. O cara é bamba!
    Já recomendei pro pessoal do Curso.

    Não conheciamos e depois de ler perguntamos o de sempre: Onde que a Meglynda descobre essas “avis raras”?
    (tá certo escrever assim?)

    Minha Nossa da Perna Grossa! :-c)
    Amor das sobrinhas e nosso.
    Küssen e se cuida, j’ouviu?

    Vc só me faz pergunta difícil. Identifico pertfeitamente de quem é a pergunta, viu César.
    Não sei o plural de avis rara, deve estar já no plural, não vê os *esses*?;-))))
    Mas tem razão. Ele além de escrever muito, muito bem, escreve sobre coisas importantíssimas.
    J’ouvi;-))) olha o arrastão entrando no mar sem fim….
    Santa Barbara os abençoe!
    Beijo
    Megtz

  9. Celia e César Trakl disse:

    Ah! adoramos o título BiOHISTÓRIAS.
    Bem bolado.

    Sim para tudo, mes amours.
    Já nos falamos.
    O autor deve ter gostado;-))))

  10. Jacqueline disse:

    não foi esse poema que o Caetano Veloso gravou?
    Musicado, é claro?
    Beijos.
    Também gostei das biohistorietas (a segunda e a terceiras são legais) e do cinema do Hitchcock
    Dá um beijo na selminha.
    fica logo boa, tá meg?

    Oh, minha fada louirinha;-))))
    Fico boa sim já, já, juro

    Sim, parte do poema/tradução o Caetano gravou lindamente. Deixe que minha mão….
    Um beijo, Jackie

  11. Ery Roberto disse:

    Meg, como está cantando a minha amada Adriana Calcanhoto, “FELIZ ANO TODO” pra você. Achei genial isto. Ano Todo é maior do que Ano Novo, pois às vezes antes do Carnaval ele já não tem mais aquele cheirinho de novidade. Saúde, muita saúde, querida. Estaremos juntos. Beijo grande.

    =-=-=-=-
    Sempre você, Ery, para trazer essas coisas bonitas e diversificadas.
    Achei lindo também.
    E retribuo fortemente a você.
    Um beijo, querido
    Saúde é o que mais preciso
    Obrigada
    Meg
    z

  12. Mauro Castro disse:

    a tradução vem a calhar: não domino o idioma bretão.
    Há braços!!

    =-=-=-

    Mauro, Mauro, Mauro
    Que coisa mais bonita de boa:-)
    Que bom você aqui.

    Idioma bretão é ótimo, parece esporte bretão;-)))

    E os livro, Mauro? E os livros.
    Muito, mas muito sucesso além de todas as outras coisas boas.
    beijos
    Meg

  13. Matilda disse:

    Feliz Ano Novo, Meg querida.
    Beijos, ;).

    =-=-=-=-=-=

    Matilda querida minha
    Obrigada e o mesmo pra você.
    Mais até, meu anjo.
    um beijo
    M.

  14. Meg, querida,
    Torcendo para que você fique menos romântica e sare de uma vez por todas da tísica. O poema, é claro, fica muito melhor em inglês. A tradução é realmente excelente, dou o braço a torcer. Nada tenho contra o Augusto de Campos. O que execro é o Concretismo, movimento que serviu, com muito entusiasmo, ao período da ditadura nesse país.
    Beijo grande

    =-=-=-=
    LORD querido da minha alma!!!!!!!
    Onde? COMO? Mas eu juro por tudo que dessa eu não sabia e olha que já quebrei a cabeça pra me lembrar se alguém me disse, se li em algum lugar. EU CONFESS, I ADMIT : I DIDN’T EVER KNOW THAT! E aliás, nem você, milord, me disse :o(((((((
    Seriously: sinto-me mal por não saber disso (*)
    My fault, my mistake, my bad!

    E se você está dizendo é porque é. Não sei porque não soube disso. Taí, imaginava que o Mario Chamie é que era meio colaboracionista….- coitadinho….

    Olhe só três notas:

    1- Meninos e meninas maravilhosos, eu não vim responder ainda e nem respondi “emailpessoalmente” porque tô mesmo doente. Não é dodói, é doente *MESMO* e tenho que obedecer médico, embora esteja bem melhorandando a olhos vistos;-)))

    2- Só vim responder ao *Lord*, não porque ele é um queridíssimo, e eu adoro ele, mas porque isso que ele escreveu -*COMO FATO* – é grave e como informação é preciosa e não se justifica que eu sendo (quase) centenária, ignorasse tal fato e me descabelasse ensinando e difundindo tanto o Augsuto quanto o Haroldo, os Irmãos Brothers Fields. E fiquei chocada, e achei que tinha vir aqui, embora eu deva respostas a todos que eu amo, viu Palpi, Ery, todos, TODOS, TODÍSSIMOS, e ESPECIALMENTE MINHA DEUSA ITALIANA, MINHA AMADA FAL, que receber comment da FAL não pra qualquer, viram? BOOOO, UHUUUUU

    LORD, por favor, mais detalhes: quer dizer que a não-poesia do Augusto era pura poeira nos nossos olhos? Aliás, o HAROLDO sendo muitísimo mais teórico, sempre me pareceu mais poético… mas agora já não falo mais nada.

    Depois as pessoas não (me) entendem por que ter blog, fazer e manter um blog é *TÃO* importante pra mim.

    Beijos a todos. Responderei a todos.
    P.S. Et toi ma chérie A.Cooper, tu me manques trop, tu me manques à mourir, crois-me! bise à ta gamine.

    P.P.S (*) -Vai haver barulho no chateau (chatô?) porque quem me ensina essas coisas e talz *NUNCA* me disse isso e afinal de contas…. sabem como é, né?

  15. rose marinho prado disse:

    Lord Broken

    Quando leio poemas concreto sinto naúseas, físicas, não é metáfora.
    Obrigada por escrever algo que me ajudou a não me sentir estranha.

  16. rose marinho prado disse:

    Correção

    poemas concretistas

  17. Rose,
    Estranho é brincar com as palavras, utilizando-as como se fossem tijolos, apenas para enfeitar o papel. Não sinta-se mal por ter bom gosto.
    Grande beijo

  18. rose marinho prado disse:

    Lord Broken

    Fiz Usp etc mas acabai com o diploma da PUc em Literatura etc. A direção tinha sido do Augusto de Campos, quando eu entrei ele já tinha saído. Mas deixou a reta a ser seguida. Então, durante 4 anos, segui aquela linha que falava da tal Modernidade. Para a turminha dos professores, Drummond não da Modernidade. Ouvi que ele não era universal, mas falava da província. Tive de fazer trabalhos, imitando os ditames do Pierce e fazendo poemas concretos. Eu tirava 10 e todos me adoravam. Por uma questão de ser amada e até, de amar as profas, fingi durante quatro anos. Com aquela náusea. E me sentia num labotatório cortando ratos palavras, no tal verbivoco e tal.
    Assim foi. E obrigada por me acalentar na minha náusea que não passa. Porque a PUC raspou de mim o pouco do coração que um poema precisa ter ainda que amarrado e controlado. Sim , eu sei. Mas amarrar, domar é uma. Esquartejar crina, patas, galope é impedir a estrada do trote poema.
    Beijos

  19. aninha-pontes disse:

    Que você tenha muita, ou melhor toda a saúde neste ano que se inicia.
    Queremos, todos nós, queremos sua companhia.
    Porque amamos você.
    Um beijo

    =-=-=-=-=
    Minha linda, minha flor, obrigada.
    falando muito sério, estou precisando e estou ficando preovcupada.
    Conto com você e estou também rezando muito.
    beijos, muitos, querida
    Megtz

  20. MUTUMUTUM disse:

    Caramba! Que maravilha de texto. Fiquei meio atordoado com aquele poema em inglês (meus conhecimentos de inglês só me permitem contar até 100 e dizer palavrinhas como apple, good mourning… essas coisas)… mas curti a versão traduzida :)

    Abração, e feliz ANO NOVO pra ti o/

    =-=-=-
    E um grandão, grande mesmo para você

    Eu também, meu inglês é só pra fazerr figuração no blog.
    É sim.
    Tudo de bom, querido.
    Obrigada
    Meg

  21. rose marinho prado disse:

    Meg

    um beijo

    =-=-=
    Outro, querida, muitos outros.
    Te adoro vc sabe.
    Megztz

  22. rose marinho prado disse:

    meg

    dewculpe eu er falado mal do augusto de campos, ele é um grande tradutor , um dos melhores e desculpe ter polemizado no seu blog.

    já me disseram qe eu sou insidiosa e criadeira de casos. por isso neste 2008 não opino mais em blog algum. só email.

    =-=-=-=-=
    Ah Rose, querida:

    meu maior sonho é um dia ter uma polêmica neste blog.
    Antes, nos anteriores havia algumas muito boas.

    Mas, agora, nada.
    Você viu o Lord nem me respondeu.:o((((

    E o Augusto de Campos não me entra mais aqui.

    Isso de não ter sido veemente contra a Ditadura, não me entra bem.
    Veja o caso do Ferreira Gullar.
    É um exemplo.
    Beijos, minha fofa.
    Meguita

  23. Meg, querida,
    Eu posso até demorar mas sempre volto. Vamos por partes, como diria o Jack. Respondo também um pouco para a Rose, e já me desculpo pois sei que vou me alongar.
    O Concretismo preocupa-se com a forma. Você sabe, Meg, do meu amor pelas palavras, poucos têm por ela o carinho que tenho, mas não se deve fugir do significado delas dentro de um contexto. Tomo a liberdade de citar um escritor conhecido, o velho Graciliano:
    “Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes. Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota. Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar.
    Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer.”
    Dentro desse espírito é que critico os concretistas: a palavra foi feita para dizer. No período da ditadura eles foram muito convenientes aos milicos. Enquanto brincavam com a forma e desenhavam com as letras, alheios aos problemas sociais do período, serviram aos propósitos da ditadura. Tanto que não foram jamais perturbados pelo esquema oficial da época. Podiam ficar elocubrando nas universidades tranqüilamente. De certa forma o Tropicalismo, ao acolhê-los da forma como fizeram, festejando-os até em letra de música, duplamente em Sampa, por exemplo:
    …Da dura poesia concreta de tuas esquinas
    Da deselegância discreta de tuas meninas…
    …Da feia fumaça que sobe
    Apagando as estrelas
    Eu vejo surgir teus poetas
    De campos, espaços…
    deu aval para essa conduta descomprometida. Eles próprios, os baianos, rompendo com as canções de protesto: Louvação, Roda, Procissão, etc, partiam para um experimentalismo mais palatável ao governo militar. A esquerda da época vaiou, considerou covardia. Gente como Guimarães Rosa, também afeito a joguinhos e invencionices, bateu recordes de teses nas universidades. Nunca se estudou tanto Guimarães Rosa como no período do obscurantismo militar. Enfim, é isso, nada contra os irmãos Campos, apenas contra um movimento que, ao enaltecer a forma, deixou de criticar o que precisava ser criticado.
    Beijos gerais e irrestritos

    =====

    Lord querido!

    E que volta! (Embora você nunca saia daqui)

    Putzgrilo: Que aula!
    Estou sem fala.
    Não há palavras.

    E a citação de Graciliano, que impressionante! E lembra muito o que Platão, na Carta VII falou sobre a Verdade.
    Incrível.
    Ganhei um presente de aniversário, do meu querido aniversariante!
    Um beijo. Obrigada, milord!
    Nós estamos irrestritamente, todos , de Parabéns!
    Meguita

  24. Carlos disse:

    “Estranho é brincar com as palavras, utilizando-as como se fossem tijolos, apenas para enfeitar o papel.” Milord, aí é que está o tamborim, digo, o xis da questão. Palavras *são* tijolos, e tanto podem se juntar num “desenho lógico” como num “desenho mágico” como, por que não, num desenho plástico. Desde que não deixem de ser *palavras*. Lembrei-me agora do Método Paulo Freire; no caso, os “tijolos” (aliás, “tijolo” era a “palavra básica”) eram os fonemas, ta, te, ti, to, tu, ja, je, ji etc., mas só *construíam* quando formavam palavras e, com isso, ganhavam significado – na língua, na escrita, na vida. Um causo fartamente contado era o o do alfabetizando que formou a palavra “tito”, e, perguntado sobre o que significava, respondeu, “‘tito’ é nome de gente e o que a gente usa pra votar”. Essa nunca ocoreria aos concretistas com seu formalismo esterilizante…

    =-=-=-=-
    Hahahah

    Carlos, ‘destacadíssimo’ é este seu comentário:´-)
    Há quanto tempo não vinha aqui. Fico feliz que tenha vindo! Obrigada.
    Vou já, já chamar o Lord.
    Ele vai adorar, eu acho.
    Não quero ser chata, entendo muito bem os dois. Mas, aqui para nós, jamais coloquei aqui ou em meus outros blogs um poema concreto *campesino*, mas só porque não gosto. O que não me impde de ver também que palavra em si é *sedução*. Quem, amando as palavras já não se sentiu (metaforicamente) ‘corrompido’ pela capacidade sedutora da palavras?
    Afinal de contas, é por isso que o escritor e mais ainda o poeta , poe passar dias, semanas, meses à procura do *mot juste*, da palavra que briga para ser a única , a singular. É ou não é encantamento , um spell que elas jogam sobre nós?

    Calma, não precisam me bater.. se não concordarem comigo. Eu concordo com vocês e claríssimo, com Paulo Freire, sobre as palavras serem “nobre material construção”…. de idéias. Juntas ou isoladas;-))))
    beijos, vou ali chamar o Lord.

  25. rose prado disse:

    Lord , Meg e Carlos, se me permitem
    Uma vez na Puc escrevi um poemeto: “Retinto felino, amar elo entre nós”
    Claro que materializei o gato, e misturei o amarelo, depois quebrando a palavra e fazendo brotar o elo de amor entre o felino e eu”.
    A Profa de Semiótica deu uivos, dizendo que era lindo. Confesso que escrevi isso sem sentir nada, apenas seguindo a lição de como fazer poesia. E fiz tantas assim. Cheguei a inventar o cata-vento poético, um artefato que soprado fazia rodar palavras, que, lidas, em cântico soava bonito e impressionava as pessoas. Não a mim. Palavras pedrinhas jogadas ao acaso. Lindo! Intuitivo. Mas eu queria que do cata-vento saísse uma idéia, até porque falavam tanto na logopéia. Mas fiquei na melopéia e na bobopéia.
    Repare que a Tropicália ficou aquilo, bonito sim. Mas parou. Por quê? É de se pensar. Não foi pra frente. E as letras do Arena Canta Zumbi também ficaram no limbo. Porque não podiam competir com o charme dos tropicalistas e sua sensualidade. Caetano foi exilado pq dançou túnica enrolado na bandeira brasileira. Ó! Que perigo! Nenhum. Um movimento estético da modernidade. Um dia Ferreira Gulart contou na tv que quando levaram pro morro as canções de protesto “Podem me prender, podem me bater”, o pessoal do morro não entendia nada. E o movimento estudantil e musical ficou sem saber o que fazer. E foi quando pensavam numa saída que o movimento foi boicotado pela ditadura. E o que reinou nas universidades foi mesmo o concretismo e a teoria ligada a tal Modernidade. No currículo da PUC: Gregório de Mattos , Sousândrade, Pedro Killkery, Gonzaga. Do modernismo, só o Guimarães. O resto não trabalhava a palavra do jeito que os teóricos da Puc desejaram. E quem dirigia aquela facu era o Campos. Disso ficou um hiato, na música, na poesia. E a geração 70 teve pouca gente, Ana Cristina César, e poucos. Torquato e Leminsky eram da geração anterior. A nós, restou o culto ao Cae e ao Gil, lindos. Mas acho que tinha mais gente pra brotar na terra brasileira. Foi.

  26. Carlos,
    “Estranho é brincar com as palavras, utilizando-as como se fossem tijolos, apenas para enfeitar o papel.”
    Você observou muito bem. A palavra tijolos foi mal escolhida para a frase. Miçangas talvez coubesse. Esse é o grande mistério, a beleza maior de se escrever. Há sempre forma de se dizer melhor. Temos que ter paciência e persistência na busca.

    Rose,
    Fiz curso de semiótica na PUC. Pude sentir o quanto gostam de engessar os textos. Incrível com trabalham presos dentro de fórmulas pré-estabelecidas. Não me senti bem dentro dessa realidade.

    Meg,
    Essa turma que vem aqui é de feras.

    Abraço e beijos gerais

  27. jayme disse:

    Uma maravilha de poema, uma transcriação magnífica. Eu não me canso de ler isso.

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